06 ago 2015

102 in Memoriam

Ainda posso sentir o cheirinho de frango assado, o piso da cozinha ainda está molhado
Sinto paz ao observar o pequeno tanque de lavar roupas cheio de água limpa
e graça ao ouvir histórias das mais variadas bolinhas coloridas
Sinto o macio da terra molhada sob meus pés
e a beleza da dança dos pássaros
Ouço a lucidez das palavras doces
Sinto o cheiro de lembranças boas vindas de um velho cachimbo
E vejo passos firmes e uma boa memória
Percebo a delicadeza de velhas recordações
Amo a maturidade numa alma com a essência de criança
Sinto o perfume da experiência
e este perfume ilumina a minha existência!

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Poema publicado na Antologia Âmago pela Editora Regência em 2011.

Fiz esse poema em homenagem a minha Bisa, mãe da minha avó, pouco depois que ela havia falecido: lúcida, linda, doce e centenária.
As fotos são da Aghata Gameiro Fotografia no dia lançamento da antologia, a Agatha tem fotos lindas, vale muito a pena conferir o portfólio dela.
E sim, este ser da foto sou eu! rs

19 ago 2013

Encontro com O Poeta

É inescapável a sensação de se deleitar num livro e ter a oportunidade de olhar nos olhos do escritos e ouvir sua voz lucida as inspirações que o levaram a compor sua obra.
Para quem não sabe sou uma aspirante a poeta e uma apaixonada por poesia que sempre sentiu que esse século não era interessante o bastante para ser vivido.
O que dizer para os meus filhos quando me perguntarem um grande acontecimento, uma grande personalidade ou um grande momento histórico que eu vivi?
Não vou poder dizer que estive nas diretas já, que bati um papo com Drummond, que Cecília e eu eramos professoras no mesmo colégio ou que sai para beber com Vinicius.
Mas eu vou poder dizer que eu apertei as mãos de Ferreira Gullar, vou poder ler suas obras a eles, contar historias e relembrar momentos e palavras inesquecíveis que ouvi dele em algumas ocasiões.
No dia 06/08/2013 Ferreira Gullar esteve na Livraria da Vila para um bate papo e lançar uma edição comemorativa de suas obras.
Dificilmente eu entro numa livraria e saio com as mãos vazias e não seria dessa vez que eu adotaria uma postura diferente, voltei para casa com os livros de poesias Em alguma parte alguma e o clássico Poema Sujo

Falar
A poesia é, de fato, o fruto
de um silêncio que sou eu, sois vós,
por isso tenho que baixar a voz
porque, se falo alto, não me escuto.


A poesia é, na verdade, uma
fala ao revés da fala,

como um silêncio que o poeta exuma
do pó, a voz que jaz embaixo
do falar e no falar se cala.
Por isso o poeta tem que falar baixo
baixo quase sem fala em suma
mesmo que não se ouça coisa alguma.

Ferreira Gullar